sexta-feira, maio 05, 2006

064 Blogtrotter - Aveiro

Tradição de mar

quinta-feira, maio 04, 2006

063 Blogtrotter - Aveiro

Ria I


Ria II


Ria III

062 Blogtrotter - vai devagar

Eu, lisboeta, confesso desde já a minha secreta admiração pela cidade de Aveiro, alimentada pela hesitação entre o mar e o início da caminhada para as beiras.
Basta serem em Portugal, razão bastante para estas paixões pelos lugares.
Brevemente: flagrantes do secreto objecto.

quarta-feira, maio 03, 2006

061 Entretanto, na rádio cá de casa...


... vai tocando Ltj Bukem, Journey Inwards

Dose dupla de um irresistível drum’n’bass oferecido pelo seu mais versátil e multifacetado intérprete, este é um exemplo do poder criativo deste londrino que, após ter arquitectado as coordenadas do jungle/breakbeat como mentor das editoras Good Looking / Looking Good, regista aqui uma obra irrecusável, culminar lógico e inevitável das séries Earth#, Progression Sessions# e Logical Progression#.
Claramente um dos grandes vultos da música urbana actual, aqui faz do jazz matéria-prima para todo o tipo de manobras e surpreende tanto na tecelagem de suaves tecidos tropicais como em agressivas escavações de beats. Excepcional.

segunda-feira, maio 01, 2006

060 Blogtrotter - vai devagar


S. João da Madeira, 27 de Abril

Enquanto o país vai celebrando a chegada antecipada do Verão, a poucas dezenas de quilómetros do mar a cidade acorda assim. Uma pausa na pressa do calor.

quinta-feira, abril 27, 2006

059 Sá

É irónico como tudo na vida encaixa como as coloridas peças de um tetris: até neste momento único, Sá Pinto é epicentro de tumultos, reavivando a nossa memória para tudo o que de negativo protagonizou ao longo de tantos anos de futebol.
Confesso que nunca fui seu devoto admirador. Bem pelo contrário. Sempre representou o paradigma da relação 90% de transpiração e 10% de inspiração. O problema é que estes 10% de talento muitas vezes foram superados pela imbecilidade exponencial que revelou em momentos chave, quase sempre em manifestações de (in)disciplina.
Sá Pinto termina a sua carreira, a confirmar-se a notícia de hoje, talvez com alguma glória mas certamente sem muita honra. Como consequência da sua expulsão por vermelho directo no último jogo do Sporting, incorreu num castigo de dois jogos, o que o impedirá de voltar a competir oficialmente, antes do términus do seu estatuto de futebolista profissional.
Obrigado e fica bem Sá. Levanta a cabeça. Já tens idade para ter juízo...

quarta-feira, abril 19, 2006

058 Rádio Memória - Emissão 21


Apocalypse 91... The Enemy Strikes Black, Public Enemy, Def Jam, 1991

Eventualmente estaremos perante o facto de que este até nem seja o melhor álbum de Chuck D, Flavour Flave e Terminator X. É bem provável, atendendo a que o escaparate ostenta luxos como Fear of a Black Planet e It Takes a Nation Of Million to Hold Us Back.
Mas é inegável que ao quarto disco, os Public Enemy evolavam ainda uma agressividade e truculência difíceis de ignorar, a que não é alheia a projecção internacional que auguraram e que a corrosão da idade e o conformismo foram suavizando.
Poderemos afirmar, sem muita margem de erro que serão, a par dos meteóricos Disposable Heroes of Hipoprisy ou dos envolventes Cypress Hill, dos mais influentes representantes do intervencionismo cultural de cariz negro-urbano, sobrepondo o gangsta rap de sonoridade caótica e ordenação anti-racista ao hip-hop mainstream que delicadamente decorou as listas de vendas durante a década de noventa.
Conceitos como a guerra, a droga, a pobreza, a criminalidade e a exclusão social, são mote para os panfletos que distribuíram no final do século e que fizeram de big brother sobre os desarranjos das perfeitas sociedades ocidentais.

domingo, abril 16, 2006

057 Sangue no Mel

A Paixão de Cristo, do amigo Mel, que vamos, com certeza e se não se insurgirem as vozes do espírito santo televisivo, voltar a rever por muitas e boas Páscoas, já tem pelo menos dois méritos:
- transformou os filmes de terror de inspiração gore em brincadeiras de criança;
- consumou, finalmente, o milagre de evitar de continuarmos a ver, nos canais nacionais, o pastelão insuportável chamado Jesus da Nazaré, que o sr. Franco Zefirelli se lembrou de realizar em 1977 e que ainda hoje factura forte e feio.
A espessura das imagens é tal (no grotesco do sangue e da carnificina) que nem dá para discernir da qualidade da obra. Talvez daqui a uns anos venhamos a perceber o que ali está, à superfície e por baixo dela.
Para já, a noite de Sexta-Feira Santa passou a ser noite de deitar as criancinhas mais cedo.

quinta-feira, abril 13, 2006

056 E o pirata sou eu?


Durante anos a fio, pelo menos desde o advento do CD, a indústria discográfica tem sugado sofregamente a inesgotável teta do lucro fácil, praticando margens impensáveis num mercado aberto. A ponto das próprias editoras respeitarem uma espécie de pacto oligopólico de não agressão mantendo, assim, o filão bem protegido a intromissões alheias à industria.
Pois é, azar dos azares, alguém se intrometeu.
E para não me alongar demasiado, estão agora os senhores todo-poderosos da música preocupados com esses bandidos da pirataria informática? Só para rir, mesmo.
Podem aproveitar as chorudas contas bancárias que foram engordando desde há vinte anos para encontrarem uma solução honesta para o consumidor, que não fez mais senão encontrar uma alternativa menos onerosa de usufruir de algo chamado… cultura.
De facto, seria interessante desmistificar o cerne do problema, assim tivessem as editoras a coragem e vergonha de revelar o custo unitário de produção de um CD, para que o pudéssemos comparar com o preço a que é colocado ao consumidor final.

segunda-feira, abril 10, 2006

055 Desconfortos diários

Ø É estranha a sensação de ouvir os Soundgarden e aquilo soar tanto a mofo. Faz-me duvidar que algum dia, algures na minha adolescência, os tenha (quase) idolatrado. Já nem o Cornell surpreende...
Ø Porque será que as forças centrípetas que costumavam aproximar-me das salas de cinema são, ano após ano, cada vez mais fracas? Será por culpa de filmes como V for Vendetta ou The Pink Panther ou até pela desilusão de History of Violence de um Cronenberg em crise de meia-idade? Por este andar, dentro em breve a Academia entregará o Óscar não ao melhor mas ao menos mau...
Ø A legislação apertada relativamente ao direito de usufruto do cigarro é acompanhada por sucessivos aumentos do preço dos maços. Poder-se-ia pensar que estas restrições são verdadeiramente intencionais no sentido de diminuir o consumo e tornar Portugal num país cada vez mais saudável.
Mas o que parece é que estes aumentos de preço pretendem compensar o Estado pela redução progressiva de fumadores que decorre, primeiro, do previsível cumprimento das regras que se avizinham e, segundo, da firme e generalizada consciencialização de que o tabaco, de facto, é prejudicial para a saúde. E escrevo desapaixonadamente: hoje é o 465º dia que deixei de contribuir para este encontro de contas...

sexta-feira, abril 07, 2006

054 Lobo.tomia

António Lobo Antunes

(Quase) não sorri
O seu discurso descoordena-se, confunde-se com os seus gestos
Ouve vozes enquanto escreve os seus livros
Confessa-se estranho num ambiente de entrevista, clima artificial e de subversivo
É muita gente
Escreve o que as vozes lhe ditam, o que o livro o obriga a escrever
Defende que os livros deveriam ser publicados sem o nome do autor
Precisa de três estados de alma para escrever - Paciência Orgulho Solidão
Acredita que todos temos um livro dentro
Gostaria que cada página de um seu livro fosse um espelho para quem o lê
Saúda o século XIX, onde existiam trinta génios a escrever em simultâneo
Respeita e inveja os poetas
Alerta para os cães pretos que habitam dentro de nós e que se devoram barbaramente
Não cede à provocação de fazer menção a Saramago
Agradece aos pais não o terem afogado em amor
Sorri quando recorda a guerra
Punha gravata para jantar, bebia chá e lia poesia em voz alta, na guerra
Assume os seus traumas de guerra
Enaltece, acima do amor, a inteligência dos sentidos
Confessa a morte de um Amigo como uma perda brutal e irreparável
Acha a velhice uma indignidade e a morte uma criatura desprezível
Tem um (raro) sorriso dócil e tranquilizador

É um homem estranho, porventura para além da comum dimensão dos homens não estranhos.

053 Entretanto, na rádio cá de casa...


... vai tocando RONI SIZE return to v

Apesar do marco que representa, não é fácil suportar a repetição exaustiva das directrizes do brilhante e seminal New Forms. Falha grave, muito grave de um dos grandes embaixadores do drum'n'bass e renovadores dos códigos musicais enraizados em décadas de conformismo sonoro. O vizinho saiu, por isso vai-se ouvindo, à espera de sexta-feira e agita-se a caixa craniana, porque é bom que de louco, todos tenhamos um pouco.

terça-feira, abril 04, 2006

052 Seinfeld

Seinfeld, de 1990 a 1998
Um humorista racional em part-time, uma tarada sexual dissimulada, um frustrado hipocondríaco-depressivo sem jeito nenhum para o sexo feminino, um desmiolado como vizinho em paredes-meias.
Oito anos em exibição e manifs quando os autores a deram por finalizada.
Kramer, Elaine, George e Jerry fazem rir as pedras da calçada e fá-lo-ão durante muitos anos, porque o seu humor é intemporal.
Por isso é que aqueles DVD's, com os episódios de há treze anos, já me roubaram não sei quantas horas de sono...

sábado, abril 01, 2006

051 Rádio Memória - Emissão 20


Mezzanine, Massive Attack, 1998

Esculpido por suave batida como é ex-libris, passa um luminoso raio pelo negrume de uma obra intensa e introspectiva e exibe um surpreendente sorriso de que Horace Andy (long time friend) e Elizabeth Fraser (ex-Cocteau Twins) são os perfeitos agentes provocadores.
Todos os acordes soam a despedida e não é por acaso que, nos oito anos que passaram desde então, apenas 100th window e um recentíssimo best of viram a luz do dia.
Esforço notável de superação de uma linguagem finita, pede meças a Blue Lines, perdendo para este apenas no efeito surpresa mas representando, no entanto, a pedra basilar do imponente edifício erguido pelo colectivo de Bristol desde há mais de uma década e meia.

sexta-feira, março 31, 2006

050 Fundação asiática

Algures em Alcácer do Sal, manequins chineses.


Ou a universalidade do Marketing-Mix.

quarta-feira, março 29, 2006

049 Fonte da Telha, fonte velha


A descida sinuosa, amparada pelo magnífico penhasco, conduz a um espectáculo vergonhoso de buracos e barracos que tresandam a clandestinidade, espinhos cravados numa das praias mais conhecidas da zona da grande Lisboa. Sendo basicamente o fim de uma estrada, só lá vai quem quer, por isso, why worry?...
Preservar a natureza, protegendo as paisagens por ela oferecida, para que as possamos contemplar e delas orgulhar-nos.
Deve ser essa a intenção desta placa, na Fonte da Telha.
É mar, sim, é o mar e houve o ir. Mas é surpreendentemente nula a vontade de voltar.

segunda-feira, março 27, 2006

048 Nip / Tuck


Tell me what you don’t like about yourself...
... e estão abertos os obscuros Mundos de cada personagem que entra na clínica Troy/McNamara.
O apaixonado que pretende olhos orientais para agradar à mãe da noiva; o transexual para mudança de sexo; a jovem desfigurada por ter sido atropelada pelo filho do Dr. McNamara; a mulher com múltiplas personalidades, cada uma exigindo fisionomias diferentes; o traficante colombiano que esconde a droga nos implantes mamários das suas serventes.
Sátira negra ao mundo das aparências sociais, Christian Troy (quebra-corações e mulherengo compulsivo, frustrado pela vida) e Sean McNamara (casado, dois filhos, frustrado pela vida) são reflexos opostos do mesmo espelho, de bisturi em punho, protagonizando uma inenarrável história de dois homens que estão sempre em primeiro lugar, um para o outro.
Com liftings e lipoaspirações, as suas mãos reparam a vida alheia enquanto que os corações desfiguram a sua própria. Fora do bloco operatório, cada um dos seus gestos resulta numa cicatriz.
Imperdível. No FOX LIFE.

sexta-feira, março 24, 2006

047 Urbis trauma


Esta velha Lisboa encaixada nas colinas, harmoniosa, luminosa, de reflexos ondulados nas águas do Tejo, foi concebida, desenhada e erguida por mestres de mentes bem enxutas, leia-se, bem secas, seguidos por discípulos que em nada lhes ficam a dever, na obscura prática da arquitectura e ordenamento urbanos. A cidade submerge no caos, mal caem as primeiras gotas de qualquer banalíssimo aguaceiro.
Qualidade de vida seria ter asas, mesmo.

quarta-feira, março 22, 2006

046 .com

A cor predominante dos meus últimos dias não é o azul do céu, nem o esverdeado do mar ou o cinzento do espírito. Poderia também ser o suave rosa da contemplação ou o púrpura de exaltação. Mas não, não é.
É somente o vermelho dos mails que caem na minha caixa de correio a uma velocidade que me deixa roxo de stress…

domingo, março 19, 2006

045 Revolução


Quinta-feira foi noite de ver e ouvir a diva, Ursula Rucker, no sub-solo do Lux. Hip-hop, r&b, drum’n’bass, política, sociedade, família, orgulho negro, tudo em duas horas de ritual. A revisitar, urgentemente, sem medo de insónias...

sábado, março 18, 2006

044 Blogtrotter - Vai devagar

Fim da estrada. Princípio do mar.

Gafanha da Nazaré, 16 de Março, 16:20.

quinta-feira, março 16, 2006

043 Blogtrotter - Vai devagar

# Até que ponto gostamos do local onde moramos. Não a rua nem o bairro, mas sim a região ou a cidade. Por mero exemplo, porque será que os portuenses têm fama de gostarem mais da sua cidade que os Lisboetas da capital? Será a sua intransigência, em forma de pacto de silêncio perante tudo que é do Porto, o verdadeiro amor à terra ou apenas o tonto e deliberado confronto ao estatuto? Apenas poderemos melhorar o local onde vivemos (casa, rua, bairro, cidade, país...), se tivermos a lucidez para perceber o que está mal dentro de portas. Porque o que está bem, está bem assim.
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# Iluminada, jovem, dinâmica, descontraída, Coimbra é uma cidade fantástica, onde dá gosto... estar. Aqui vive-se de forma diferente e o sangue fresco da comunidade estudantil e a secular atmosfera cultural não explicam totalmente a saudável sensação de querer sempre voltar. Aqui há algo que não se explica. Sente-se.
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# Em menos de doze horas conheci aqui gente de todos os cantos do país. Porto, Algarve, Trás-os-Montes, Guarda, Portalegre, todos representados ao almoço, num simples café ou à noite, ao meu lado, no futebol. Dos mais de cem mil habitantes que a Wikipédia acredita andarem por aqui, se todos os forasteiros se lembrassem de sair ao mesmo tempo, compactaríamos Coimbra numa reunião de condomínio. E sería, sem dúvida, uma boa vizinhança.

quarta-feira, março 15, 2006

042 Squash it!



Tudo se passa dentro de quatro paredes. É só impedir a bola de bater duas vezes consecutivas no chão. Esse objectivo define-se quase como uma desesperada questão de vida ou morte.
Cada pancada bem sucedida é uma lufada de ar. Mas bem longe está a vitória, a litros de suor, violência amortecida nos joelhos e repentismo nos cotovelos.
O mais fácil, por estranho que pareça, é chegar over the top, elevar o consumo de oxigénio a níveis incomportáveis pelo enchimento do peito, ultrapassar os limites.
É finalmente a rendição mas, simultaneamente, a realização total.
O squash é um jogo absolutamente extraordinário, que todos deviam experimentar, pelo menos uma vez na vida, nem que fosse para perceber como se chega ao abismo do corpo.

terça-feira, março 14, 2006

041 Rádio Memória - Emissão 19

Dummy, Portishead, 1994

Na verdade, a paralisia provocada pela audição deste disco é fictícia. Tudo continua em movimento, o espaço, o tempo, as coisas, nós. Apenas mais lento, em suspensão, à velocidade das emoções libertadas da voz de Beth Gibbons, arrastando-se pela textura trip-hop esticada ao limite da paleta dos Massive Attack. Centenas, é a conta certa para as vezes que se deve decifrar o enigmático baixo e estes violinos dissimulados, anunciando a derrocada dos beats em plena travessia da selva electro da década de noventa. Pobre sub-género, que pouco mais voltaria a dar senão laivos clonados de menor qualidade. Nem mesmo os Portishead voltariam a este estado de depuração e foi essa a traição que trouxeram ao Mundo: não deveríamos nunca ter permitido a perfeição.

quinta-feira, março 09, 2006

040 The special one

Questão:
Gostava que alguém me explicasse como é que um povo, assumidamente reflexo da brandura, que admirou, idolatrou e se identificou com verdadeiros símbolos nacionais como Carlos Lopes, Rosa Mota, Aurora Cunha, António Livramento, Ticha Penicheiro, Eusébio, Luís Figo, Rui Costa, Joaquim de Almeida, Madredeus, Manoel de Oliveira, entre tanta e tão boa gente, que tão alto tem elevado as nossas cores ao longo de tantas décadas, consegue nutrir o mesmo tipo de sentimentos em relação a um indescritível pomo de arrogância, agressividade, pedantismo, hipocrisia e incontinência verbal de carácter incendiário como é esse tal de José Mourinho. Já não há pachorra.
Regra única (para facilitar):
Não é permitido usar o argumento gasto que reza que o senhor é “um grande profissional, o melhor entre os melhores”, porque todos os nomes que aqui enuncio também o são ou foram, dentro e fora de portas.

sábado, março 04, 2006

039 Entretanto, na rádio cá de casa


... vai tocando Two Banks of Four City Watching

A canção apresenta-se preguiçosa, na sua mais convencional forma de expressão, sujeitando-se a discretos trabalhos de demolição.
Indulgente exercício de reconversão dos desconchavos humanos, obriga a que as mais simples linhas paralelas se cruzem permanentemente, ocupa o espaço e o tempo da mais perfeita forma que há memória, desde que há dez anos alguém congeminou a fuga do Jazz dos seus espartilhos.
Aqui seguir-se-ia a continuação.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

038 Unir as margens



Aponte, porque já no Império Romano as havia.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

037 Passar das marcas

As marcas marcam?
Mais do que o produto propriamente dito, a marca é a referência que nos enquadra no Mundo social (a notoriedade, o status, a pertença a um grupo, blábláblá...), que nos relativiza com o próximo ou que simplesmente nos identifica.
Ao adoptarmos a marca, ela também nos adopta e dificilmente nos demacaremos desse sinal.
Serão as nossas vidas adornadas pelas marcas ou passaremos por elas sem pejo, ícones que vão e vêm sem deixar rasto?
Quantas marcas já consumimos durante a nossa vida?
Com quantas nos zangámos?
A quantas jurámos fidelidade e quantas voltaram?
E a quantas voltámos?

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

036 Certeza e pesar

Ultimamente, várias vezes a tenho ouvido como algo, comum, normal, convencional nos dias que correm, outrora motivo de indignação.
Começo também a achar (frequentemente o pudor é inimigo de algumas certezas) que é um processo de selecção, valorização, distinção, promoção (e outras coisas acabadas em ão) tão válido e científico como qualquer outro, ao jeito de não podes vencê-los, junta-te a eles.
Pode estar mesmo ali ao lado, camuflado de rigor e competência, em plena antecâmara das highlights e vai acabar, inevitavelmente, por lá chegar.
Hoje, atribuir-lhe uma carga nebulosa ou de meia-palavra é motivo para aflições no sobrolho, é duvidar do bom senso de quem escolhe não pelo melhor, mas pelo que lhe faz melhor.
Life goes on...

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

035 Rádio Memória - Emissão 18


Tender Prey, Nick Cave and the Bad Seeds, 1988

Depois de descolar dos Birthday Party, Cave congrega neste tomo inúmeras linguagens que se podem identificar nas várias escolas musicais de um passado tumultuoso e cimentou a sua expressão agressiva, negra e iconoclasta, cujo início de carreira fazia adivinhar. Australiano na Europa subverte, nesta genial matriz, a estrutura clássica da canção, relata azedumes e horrores, cria personagens de amor e sexo, confronta Deus e o Demónio e influencia incontáveis nomes que ainda vão surgindo.
Aqui começou a conquista do estatuto de songwriter e o respeito de todo o universo musical, que reconhece na sua obra, de estilo e género inclassificáveis, um dos mais poderosos monumentos artísticos dos últimos trinta anos.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

034 Certeza e júbilo

O trabalho dignifica.

033 Mais Cronenberg



Na Cinemateca continua a viagem pelo catálogo Cronenberg.
Desta vez foi a recordação do magnífico Christopher Walken em The Dead Zone onde, na sequência de um acidente de automóvel, adquire um dom paranormal de adivinhação do passado e do futuro de quem com ele se cruza. Na intercepção destas duas dimensões existe um ponto onde, por sua acção, o futuro pode ser alterado. É a zona morta…
A mente como extensão do corpo, é Cronenberg no seu melhor, preparando os alicerces de uma obra que se viria a revelar ímpar.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

032 Blogtrotter - de regresso















Amanheceu.

















Uma vista de relance e o compromisso do regresso.





















Deixa-se para trás a sentinela.

Longo é o caminho, até uma próxima.

031 Blogtrotter - vai devagar

O merceeiro, o lenhador, o bancário, o gestor, o respeitado patrão, todos se tornam elementos da mesma comunidade pós-laboral, fendas na fina película que separa profissional e pessoal.
Encontros ao balcão do tasco para rescaldo do dia, entre uma cerveja ou um gin, são momentos ideais para ver a maldita chispa no olho, o cheque sem provisão ou a fraude perpetrada no tal acidente por fulano de tal.
Entre cá e lá, vinte e dois quilómetros entre Portugal e Espanha, percurso de rivalidades com tiques de provocação mal disfarçada de simbiose imperfeita - a culpa é da senhora de Aljubarrota: tu precisas de mim, eu preciso de ti. Claro que si!
Segue um dia atrás do outro, saboreando as pequenas coisas que têm sentido apenas e só por existirem, embutidas no tempo que passa mais devagar – muito mais devagar – que as batidas do coração.
Retratos de um país. Ou dois.

terça-feira, fevereiro 14, 2006

030 Blogtrotter - vai devagar

Depois de muitas horas, mails escritos em estações de serviço, brasas passadas para matar a monotonia da estrada, jantar de estranho sotaque, dormência de tanto calcorrear EN's e multa por desprezo a um sinal vermelho, finalmente cheguei...

... aqui:

Casa de Samaiões, a 2km de Chaves, 23:17



A escuridão e o silêncio são tão densos que quase se agarram.

(continua)

domingo, fevereiro 12, 2006

029 Muito Cronenberg



Este filme tem catorze anos mas continua perturbador, a cada visionamento.
No ciclo de Cronenberg que vai passando na Cinemateca de Lisboa, dois pseudo-intelectuais sussurraram e riram, em tom completamente idiota, durante todo o filme, incomodando quem se encontrava por perto, ainda mais que o Mugwump da fotografia. Celebraram com um gargalhar negligé, possivelmente comprometido, a sequência em que a centopeia gigante sodomiza Kiki.
Apesar destes dois cromos, da legendagem em espanhol e da minúscula sala, fica o prazer de recordar a magnificência do estilista da carne.

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

028 Variações na blogosfera

Nestes dias discute-se na blogosfera, em turbilhão, a liberdade (de expressão). Ironia suprema, quando os liberais e modernos meios de comunicação são, ainda, necessários como veículo de reivindicação de direitos que, em tempos idos, se reclamaram em voz alta e punho cerrado e se julgavam adquiridos muito, muito antes dos computadores. Falta o vocal de quem fala por razões que são caras, a voz emotiva, inflamada, vívida, própria do direito à indignação. Escrevemos, o que já não é pouco e sempre temos o ponto de exclamação!, que vai ajudando a vociferar em silêncio.

Ver, num passado recente, alguns representantes do nosso aparelho governativo incorrendo no clientelismo de tomar partido das "forças aliadas", enfrentando de peito aberto os muçulmanos e agora, à cara-de-pau, ouvi-los promover o respeito pelas diferenças civilizacionais e culturais e compreender o comportamento grotesco de quem, cada vez mais, desafia a nossa existência. Ser português é assim mesmo, ter paciência para o discurso da incoerência.

Surpreende-me como mentes bolorentas insistem numa abordagem ao conceito de Liberdade (no seu sentido mais lato) pelos vectores ideológicos direita vs. esquerda. Trata-se apenas uma visão política, de curto alcance, redutora e até primária, de uma questão que interfere com os mais superiores valores da Humanidade e que, uma vez solidificados, permitir-nos-iam viver tal como nascemos ou como morreremos: simplesmente livres.

027 Esclarecimento

Para tranquilizar um atento leitor: a imagem aqui ao lado desde 28 de Janeiro não é a representaçõo de um leão a entrar por uma águia. Ai a clubite...

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

026 Encruzilhada

É no mínimo utópico, pedir à civilização muçulmana, na sua versão mais intransigente e radical, o bom-senso e equilíbrio de não (re)agir brutalmente às caricaturas de figuras religiosas conotadas com a sua crença, depois de termos assistido, ao longo da últimas décadas, a atrocidades conscientemente cometidas, a múltiplos atentados terroristas que vitimaram milhares, à forma brutal como inocentes são executados frente a um écran, tudo isto em nome de um credo assumido como única fonte e sentido da vida, razão primeira e última para viver.

O cerne de toda esta discussão está, convenhamos, numa simples questão que a todos diz respeito e a que ninguém, nem “nós” nem “eles”, ainda respondeu: será o sagrado (ícones religiosos, entenda-se) pacificamente caricaturável? Ou será possível uma espécie de pacto planetário em que cada religião habitará, definitivamente, acima de qualquer valor politico-social (inclusivamente da liberdade) e não irá, jamais, ser ferida de morte por abordagens menores? Bom, decidamo-nos.
Se considerarmos que o sagrado não é caricaturável então é porque, implicitamente, não queremos que nos façam o mesmo e devemos (nós, o Mundo ocidental e civilizado), claramente, um pedido de desculpa aos cultores do Corão. E com esta assumpção termina-se, definitivamente, com qualquer tipo de manifestação, mesmo a mais legitima ou delicadamente artística (Mel Gibson, Martin Scorsese), que tenha a religião subjacente ou como inspiração.
Se, no entanto, assumimos que o sagrado é passível de caricatura, então teremos (nós, o Mundo ocidental e civilizado) de ter a coragem de assumir o que foi feito e enfrentar o Mundo muçulmano, impondo as regras civilizacionais que a evolução da espécie humana determinou como boas.

Mas aqui, neste ponto, tudo me soa a uma guerra-santa à escala planetária onde, provavelmente, se jogarão muitas vidas, em nome da reconquista de direitos ameaçados pelo fanatismo ou para circunscrever a cada fronteira religiosa os seus seguidores. Cada coisa en su sítio.
Não deixa de ter um senso perverso se formos “nós” a promover a guerra contra argumentos e fundamentalismos religiosos, nem que seja para preservar aquilo que de mais básico conquistámos. A materialização primeira dessas vitórias é a liberdade, bem intangível que, tal como a religião e ao contrário do petróleo, não se vê. Sente-se, desfruta-se e engrandece-nos como seres inteligentes.

O que sempre criticámos ao povo muçulmano (branquear o derramamento de sangue em nome de valores do espírito) é precisamente o que tantas vezes fizemos, cá no nosso lado, onde nos auto proclamamos ordeiros e civilizados, pela conquista da liberdade de que nos orgulhamos.
Se assumimos essa liberdade tout court, não podemos nunca censurar a sua luta e olhando bem fundo na alma de cada um de nós, é esta parábola que, estranhamente, aproxima estes dois Mundos tão distantes.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

025 Arquivos da judiaria



STEVEN ALLAN SPIELBERG
Munich (2005) War of the Worlds (2005) The Terminal (2004) Catch Me If You Can (2002) Minority Report (2002) Artificial Intelligence: AI (2001) The Unfinished Journey (1999) Saving Private Ryan (1998) Amistad (1997) The Lost World: Jurassic Park (1997) Schindler's List (1993) Jurassic Park (1993) Amazing Stories: Book One (1992) Hook (1991) Always (1989) Indiana Jones and the Last Crusade (1989) Empire of the Sun (1987) The Color Purple (1985) Indiana Jones and the Temple of Doom (1984) Twilight Zone: The Movie (1983) E.T. the Extra-Terrestrial (1982) Raiders of the Lost Ark (1981) 1941 (1979) Close Encounters of the Third Kind (1977) Jaws (1975) The Sugarland Express (1974) Amblin' (1968) Slipstream (1967) Firelight (1964) Escape to Nowhere (1961) Fighter Squad (1961) The Last Gun (1959)

ALLEN KONIGSBERG
Match Point (2005) Melinda and Melinda (2004) Anything Else (2003) Hollywood Ending (2002) The Curse of the Jade Scorpion (2001) Small Time Crooks (2000) Sweet and Lowdown (1999) Celebrity (1998) Deconstructing Harry (1997) Everyone Says I Love You (1996) Mighty Aphrodite (1995) Bullets Over Broadway (1994) Manhattan Murder Mystery (1993) Husbands and Wives (1992) Shadows and Fog (1992) Alice (1990) Crimes and Misdemeanors (1989) New York Stories (Oedipus Wrecks) (1989) Another Woman (1988) September (1987) Radio Days (1987) Hannah and Her Sisters (1986) The Purple Rose of Cairo (1985) Broadway Danny Rose (1984) Zelig (1983) A Midsummer Night's Sex Comedy (1982) Stardust Memories (1980) Manhattan (1979) Interiors (1978) Annie Hall (1977) Love and Death (1975) Sleeper (1973) Everything You Always Wanted to Know About Sex But Were Afraid to Ask (1972) Bananas (1971) Take the Money and Run (1969) What's Up, Tiger Lily? (1966)


Impressionante, não?

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

024 Contra-senso

Sexta-feira, anoitece, dezoito e trinta e oito.
O telefone fixo calou-se, o telemóvel silenciou, o e-mail quedou-se, ninguém nas imediações. Agora sim, posso finalmente trabalhar concentrado.
Vou de fim-de-semana.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

023 Um largo sorriso

Independentemente da ideologia ou cor políticas que possam nortear o comum observador, é indiscutível que José Sócrates não tem deixado ninguém indiferente, pela argúcia que tem demonstrado na fase mais decisiva da vida de um executivo: o início.

Neste período, em que se granjeiam apoiantes e seguidores, em que se decide sobre o grosso das grandes linha orientadoras, em que tem de ser conquistada a maior margem de manobra e credibilidade e em que o Governo tem de provar rapidamente estar à altura das responsabilidades, Sócrates percebeu que tinha de intervir em áreas de indiscutível unanimidade.
À excepção do IVA, o executivo agiu, em menos de um ano, em sectores da sociedade de forma a quase não permitir contestação, nem sequer da oposição, tal a urgência e necessidade dessas decisões que ninguém tido a frontalidade de tomar nos Governos anteriores.
Saúde-se, portanto, a coragem de agir.

No entanto, o Governo socrático, como ente dinâmico tipicamente português, vai apresentando já alguma debilidade de observação periférica, relevando a floresta em detrimento dos pequenos mas tão importantes pormenores da árvore.
Na verdade, a divulgação da implementação da banda larga no acesso à Internet em todas(!) as escolas portuguesas “coincidiu” com a presença de Bill Gates no nosso país. Esta é evidentemente a prova de que Sócrates sabe que estas felizes “fortunas do acaso” ajudam a estender o tapete vermelho à governação. Até aqui tudo bem.

Mas… e o resto? Terão estas escolas banda larga antes de aquecimento?, antes de condições estruturais básicas?, antes de professores com qualidade e motivação para serem colocados a centenas de quilómetros das suas vidas?, antes de redes de transporte em zonas agrestes do país?, antes de alimentação cuidada?, antes de serviços de assistência social às crianças desfavorecidas?
Mantenha-se, ainda assim, a saudação à coragem de agir. Mas parece que, depois de um arranque prometedor, vamos passar a ver o mesmo filme que temos visto desde há trinta anos. A (re)construção da casa a começar, uma vez mais, pelo telhado.

Às crianças que rapidamente acedem agora à rede, Sócrates ofereceu o sorriso inocente da surpresa, um sorriso largo como a banda que nos põe em bicos de pés nesta Europa em cruel desenvolvimento, que nos exige para além do que podemos dar.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

022 Quente & frio


Obrigado, amigo (1).

Não é fácil lembrar algo para aludir ao dia de ontem. Esse mesmo, o tal, da neve. Daquelas figuras de estilo que corrigiria o lapso cometido pela frente fria, que passou por cá em vez de lá, na serra. Poderia, eventualmente, como recurso, utilizar uma escapatória de mau gosto, fazendo referência ao dérbi lisboeta, porquanto o resultado deste jogo acabaria por tornar-se, tal como o dia seguinte, lenta e irremediavelmente gélido.

Obrigado, amigo (2).

Mas não. Não o farei. Não cairei nessa malévola tentação. Este belógue preza valores mais altos do que um efémero fervor (passe o contra-senso) clubista possa fazer crer. Apesar de Liedson ter feito uma exibição notável na noite anterior, apontando dois golos de belo efeito, um deles sobre o habituée Luisão, cingir-me-ei a apenas ao curioso dia de Domingo.

Obrigado, amigo (3).

Estava coberto de uma carapaça branca, o quiosque onde comprei todos os jornais desportivos do dia e que assinalavam a forma brilhante como Carlos Martins (primeira parte) e João Moutinho (segunda parte) encheram o campo. E nem a calorosa ovação final à equipa leonina conseguiu aquecer os milhares de lisboetas que, no dia seguinte, tiritaram de frio com o ofertado nevão.

Mas pela confusão que vou fazendo, é melhor ficar por aqui. Arrisca-se o blogaláizit a perder grande parte da freguesia. Ainda assim, apesar de tudo, apesar do brevíssimo usufruto, apesar da rapidez do momento, vale sempre a pena viver dias como este. Dos tais que irão perdurar na nossa memória e na dos tempos.
E se nevar no dia seguinte, melhor ainda.

sábado, janeiro 28, 2006

021 Untitled

Décima primeira proposta: DE TRÁS DA ORELH@
veio deste ouvinte.


Décima segunda proposta: VINIL FM
Décima terceira proposta: SONS DO VINIL
Décima quarta proposta: ETERNO VINIL
Décima quinta proposta: VINYL DREAMS
Décima sexta proposta: SÓTÃO FM
Todas deste criativo visitante.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

020 >>> Salva-vidas



ALQUEVA
Deste projecto mastodôntico floresceriam, diz a moderna lenda lusa, sistemas de rega de incompreensível tecnologia e infinito alcance, empreendimentos turísticos ímpares, lugares de deleite para ocupação do corpo e da mente. A terra da abundância, enfim, erguer-se-ia, da seca e do vazio, em forma de esperança para meio-país, emproada de orgulho para o outro meio. Mas, afinal, quanta vida se submergiu e quanta está suspensa, à espera.
Por enquanto, à medida das promessas, apenas o esquecimento, emoldurado na imponência de uma obra impressionante. Retratos de um país.

terça-feira, janeiro 24, 2006

019 Untitled

Oitava proposta: GIRA O DISCO E TOCA O MESMO, corrigida para
Nona proposta: MUDA O DISCO E TOCA O MESMO, que acabou em
Décima proposta: VIRA O DISCO E TOCA O MESMO.

Da assinante Catarina.

018 Untitled

Quarta proposta: VIAGENS SONORAS
Quinta proposta: SONS DE SEMPRE
Sexta proposta: PLANETA SOM
Sétima proposta: SONS DOS TEMPOS

todas desta leitora.

017 Bater na tecla

Novamente o impensável acontece: depois de Big Brother ter batido records de audiências sem ninguém ter visto o programa, depois do Bispo de Braga ter censurado O Império dos Sentidos sem nunca ter visto o filme, Cavaco Silva é surpreendentemente eleito PR, na primeira volta, com 50,6%, sem ninguém ter votado nele.
Assume-se como verdade que Cavaco ganhou à tangente, diz-se à boca cheia, por todo o lado, media incluídos. É verdade: Alegre ficou em segundo lugar, a cerca de trinta pontos percentuais. Foi mesmo por pouco.
Numa entrevista que ouvi na TSF, um conterrâneo de Cavaco contava que o pai do novel PR era homem bafejado pela sorte, com negócios e empregados a serviço. Relatava as peripécias do menino Aníbal com alguma frieza, como o cachopo nunca foi desamparado pela vida, nunca foi o menino pobre que muitos insistem ter sido. Gracejou ao recordar que seu pai, quando ausente, pedia-lhe para vigiar os trabalhadores e, como puto irrequieto, Aníbal acabava a brincar com eles. Este hábito de Cavaco, de brincar com quem trabalha, já vem de longe.
Aceitam-se apostas para adivinhar quanto tempo vai Sócrates aguentar o seu governo sem ser dissolvido. Começa………… agora!

segunda-feira, janeiro 23, 2006

016 Untitled

Terceira proposta: VOLTA AO MUNDO EM 80 DISCOS de um visitante que não se apresentou...

015 Untitled

Segunda proposta: VIAGEM AO MUNDO DA MÚSICA veio do atento leitor ombroarma.

sábado, janeiro 21, 2006

014 Untitled

Primeira proposta: MEMÓRIAS EM MP3 veio daqui.

013 Período de reflexão

CAVACO...
... é um tecnocrata assumido, de raciocínio enviesado pela lógica de que tudo é linear, “encaixável” como um puzzle, sem deixar o mínimo espaço à improvisação ou emoção humanas. É previsível e calculista e, como uma operação algébrica, dá sempre “resto zero”.
Por mais que tente evitar, a sua expressão faraónica, rígida, seca, quase a roçar o despotismo, obriga a uma inevitável sensação de desconforto em quem possa pensar em dar-lhe o voto. Mesmo os mais convictos. Mas a colagem ao seu partido de sempre beneficiou-o e deu-lhe, desde o início, o trunfo de ter o apoio de todas as facções de direita.

SOARES...
... chegou a ter hipótese, no início destes três longos meses, de uma recuperação sustentada da desvantagem com que começou. O seu adversário directo sempre demonstrou uma endémica dificuldade em humanizar o discurso e esse facto, cruzado com a sua experiência, poderia equilibrar o confronto.
Mas o célebre frente-a-frente televisivo foi o tiro no pé que consumou a parábola. Soares não mais recuperou da débacle provocada pela postura de guerrilha que adoptou contra Cavaco. O “animal político” não previu que os brandos costumes dos portugueses são uma variável a ter em conta numa campanha eleitoral. E esse erro foi-lhe fatal.

ALEGRE...
... foi a maior desilusão em termos de conteúdo, de ideias, de projecto. As qualidades humanistas que evidenciou, o inconformismo em que sustentou a coragem para assumir compromissos, não foram suficientes para suprir o vazio onde constantemente derivou e o eco que permanentemente fez de si próprio.
Esqueceu-se de apresentar o candidato a PR e os seus projectos de futuro.
Revelou o Homem, o amigo da nação, “o” amigo, outra coisa não seria de esperar do sangue de um poeta. Mas isso, somente isso, apesar de já ser muito, não chega.

JERÒNIMO...
... não tem semblante para fa(c)to e gravata de PR. De revolução em riste, a sua luta é outra. Disse o que lhe apeteceu, batalhou por um ideal, desafiou adversários, falou, gritou, até à exaustão, ficou sem voz. E se lhe perguntarem porque aqui está e o que desta guerra pretende, responderá, certamente, que no peito lhe vai um partido que pretende ressuscitar.
Entregar-se-á de corpo e alma para devolver ao PCP a vida que amargamente lhe foi sugada durante os últimos longos anos. Nem que para isso tenha de sacrificar a sua. Está a consegui-lo e não basta que a direita perca: uma vez mais terá de ser copiosamente derrotada. As eleições? Ah, é verdade…

LOUÇÃ...
... foi um excepcional aluno, é reconhecidamente um excelente professor e continua a ser um óptimo comunicador, apesar de várias vezes pisar os limites das boas regras de convivência entre adversários políticos. Este não é o seu terreno de eleição, onde as suas fragilidades como político se revelam com clareza. Move-se melhor na luta de partidos, na disputa do discurso, no confronto de ideologias, zonas oratórias onde não lhe exigem resultados. Aí sim, tem algo a dizer.
Mas todas as batalhas têm um cavaleiro do apocalipse e esta não foge à regra. A “neo-extrema-esquerda” tem em Louçã um digno cruzado que, com mais ou menos acutilância, lá vai levando a água aos seus moinhos. O pior é quando estes ganham vida.

CONCLUSÃO...
... mais um Domingo sem futebol.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

012 Untitled

Este belógue já chegou mais longe que Alexandre, o Grande.

quarta-feira, janeiro 18, 2006

011. Rádio Memória - Emissão 017


Two Nuns And a Pack Mule, Rapeman, 1988

Ouvir a harmonia da explosão de uma granada cor-de-rosa e saborear uma deliciosa bola de gelado com estilhaços de vidro. Afagar a cria de um monstro sanguinário e dormir tranquilamente numa cama de faquir. Sorrir para as trevas disfarçadas de luz e ser amado por uma ninfa mortífera. Caminhar sobre brasas degustando um refrescante bourbon on the rocks. Sair de casa com o céu a desabar num dia soalheiro e pisar a verdejante terra que se abre sob os pés.
Registo único do mais poderoso projecto dos vários patrocinados por Steve Albini, ocupa um lugar inatingível na memória de quem fez (e faz) da música catalizador, motor de busca de novas dimensões. Ouçam-no e perceberão que este disco é assim: um murro no estômago de chorar por mais.

Obra-prima absoluta.

domingo, janeiro 15, 2006

010. Bater na tecla

Como se falava com os pais há quinze anos atrás? E como sabíamos se os filhos estavam bem na escola ou na visita de estudo? Como combinávamos jantares com amigos ou como nos encontrávamos na praia? Como contactávamos com colegas de trabalho?
Ainda bem que inventaram o telemóvel. Senão teríamos ainda esse penoso fardo chamado privacidade e continuaríamos isolados uns dos outros eternamente...

O volume e tom que se atribui à voz numa conversa telefónica em público, significam muito mais do que apenas vemos e/ou ouvimos. A dureza, a rispidez, a delicadeza ou diplomacia, a complexidade do discurso, o à vontade, a postura sobranceira ou autoritária, são todas evidências que o telemóvel é também, para além de um complexo equipamento multifunções, um meio de integração social e de afirmação num grupo, sobretudo profissionalmente. No recato do gabinete ou do lar, todos estes distorcidos tons de voz voltam certamente ao normal...

Várias vezes ouvi o meu colega dissimulando a conversa. Respondia de forma pouco clara, refugiando-se em interjeições de cariz duvidoso, de tal forma que, pouco depois de desligar o telefone, acabei por me aperceber que pouco ou nada tinha retido do diálogo. Alguns minutos depois recebo um email desse mesmo colega, uma simples e arrepiante linha apareceu diante dos meus olhos: Desculpa a forma como falei contigo, dentro de duas semanas estarei em Lisboa, falaremos pessoalmente. Acho que tenho o telefone sob escuta. Um abraço. É com satisfação que assisto ao despontar de um novo Mundo.

quinta-feira, janeiro 12, 2006

009. Variações na blogosfera

Os media tradicionais (televisão incluída?) vão sendo lenta e irreversivelmente penalizados pelas obrigações económicas das edições que colocam no mercado. O dever da imparcialidade é, muitas vezes, inimigo da frontalidade como expressão de verdade pessoal, a bem dos resultados.
No blog, quem opina pode dizer o que bem entende, sobre o que bem entender. Sujeita-se a ter de se responsabilizar pelo que publica, mas isso são contas de outro rosário.
O blog, como meio de comunicação supostamente “paralelo” transforma-se, naturalmente, numa via privilegiada para comunicar e interagir, actualizando, promovendo o debate e o contraditório e, sobretudo, vivificando a notícia. Parece-me evidente que a blogosfera substitui, em quase toda a linha, o clássico media escrito. Sinal dos tempos que estimulará o espírito empreendedor de grupos editoriais?
Só não solucionei ainda o problema do tradicional e enraizado hábito de leitura na casa-de-banho.

terça-feira, janeiro 10, 2006

008. Untitled

O ponto de partida para o cliente que gasta dez euros, é exactamente o mesmo do que para o que gasta um milhão. Ambos têm os mesmos direitos. A diferença está no ponto de chegada. A consumação desses direitos varia na proporção directa do que gastam.
Ok, tudo bem. Desde que existam, é legítimo. Vive-se bem com isso. Afinal, já Orwell o dizia, até com os animais é assim.
Mas reclamar de um serviço neste país é uma tarefa surreal. É pregar no deserto. A não ser que se tenha gasto um milhão ou que se tenha poder "executivo" para coagir.
Esta explícita e impune castração de um direito básico do consumidor, debaixo da asa protectora do "verdadeiro artista portuga", diz-me que vamos continuar por muitos e bons anos no cú, perdão, no ânus da Europa.

domingo, janeiro 08, 2006

007. Tim Burton - Histórias de encantar


Basta perder dois minutos aqui.

Percebe-se facilmente que este não é apenas um simples site promocional de um filme. É a partilha de uma viagem à mente criadora do mais genial contador de histórias destes anos que cruzam dois séculos. Acompanhar e admirar a sua obra é sermos ingredientes no caldeirão da sua alquimia. Ou tornarmo-nos parte da sua galeria de fantásticas criaturas.

sábado, janeiro 07, 2006

006. Rádio Memória - Emissão 016


Born In The USA, Bruce Springsteen, 1984
Ao apelo de escândalos políticos e sociais, com as queimaduras provocadas pelo conflito no Vietnam bem vivas e com a guerra-fria no auge, Springsteen massaja o ego de uma nação com um dos seus discos mais emblemáticos.
Prefaz com The River a banda sonora perfeita de uma América estilhaçada por dentro, hesitante na encruzilhada entre passado e futuro e onde se identificam os ícones do american way of life a precisar de novo fôlego.
Aqui engole-se em seco e liberta-se a angústia nos bramidos que acordam um povo dormente, sempre com o orgulho americano no nível máximo em rock puro e duro. A capa é sintomática: a América está ferida, mas não precisa de nada nem de ninguém, de costas voltadas ao Mundo, quem quiser que a siga.
E afinal, este é um grande e inesquecível disco, que durante largos tempos viveu glory days nos tops de todo o Mundo.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

005. Causa perdida

Lá estão vocês, no desempenho da cíclica tarefa que acompanha o movimento de translação da Terra, a duzentos e cinquenta quilómetros do poiso diário.
Frente-a-frente com o colega comercial, sequioso de tantas coisas que se lhe transmitem todos os anos e que, com todo o direito, voltou a reivindicar para este novo dois mil e seis.
Profissional exemplar.
Exige-vos ensinamentos sobre o que se passou nos últimos doze meses, os objectivos para os próximos doze, tanto por cento? não será muito? sempre vai haver alterações nas normas?, a concorrência implacável, o quota de mercado (essa malvada ditadora) que teima em ter o zero à esquerda, e os rácios de rentabilidade? vão direitos? e o tal negócio? é este ano que o atacamos?… Um café? claro! vamos apanhar ar que temos ainda muito que falar, este vai ser o meu melhor ano, tenho aí umas coisas novas em vista…
Volta à carga, tarde dentro. Tarde dentro. Até tarde. A mulher insiste em telefonar. Tem dois garotos à espera para jantar mas fica, porque acumula neste dia o suor que vai espremer durante muitos meses. Precisa de manter a motivação no máximo. É em vocês que a procura. Exemplar!
Dentro de um mês vai ser despedido.
Vocês sabem.
Ele não.
Puta de vida.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

004. Entretanto, na rádio cá de casa...


... vai tocando Waldeck Balance of The Force

A matriz da escola austríaca é de tal forma perceptível que é impossível evitar comparações com os pioneiros, os mesmos que há cerca de uma década fertilizaram toda a área cultivável da electrónica europeia.
Chill out de acentuada monotonia, inofensivo e adocicado, dissolve-se lentamente como um cubo de açúcar no palato e serve de reparador de tímpanos em hiper-sensibilidade.
Sem a bravura dos Sofa Surfers ou o virtuosismo das duplas Kruder&Dorfmeister ou Dzihan&Kamien, Waldeck vai, em vão, tentando disfarçar o declínio do filão vienense.
Mas seria um regalo que todos os males fossem assim...

003. Untitled

Todos os dias há noticias em estilo reciclável: mastiga e deita fora. Mas estas preocupam mesmo. Pelos vistos ainda há sectores em crescimento acelerado em tempo de crise...

002. Untitled

Caro amigo, obrigado pela referência sem qualquer ónus para o beneficiário. Por enquanto, pelo menos. Veremos que consequências gratificantes ou nefastas poderão advir de tamanha revelação, para uma das partes, para a outra ou para ambas.
Para já, não quero deixar de partilhar, uma vez mais, com os meus companheiros de diatribes blogosféricas, a tua chaise longue, onde brilhantemente discorrem e são dissecadas as nossas mais profundas dúvidas.
Aproveitem...

terça-feira, janeiro 03, 2006

001. Diferenças

No Brasil.
Brasileiro e português em conversa animada:
"Pô, o governo no seu país caiu, cara? Isso é terrivel! Agora seu povo se revolta, vai haver motins e vandalismo pelas ruas em sinal de protesto, não? O povo não brinca!!"
"Qual quê? Chego a casa e aminha mulher diz-me que caíu o governo e eu respondo: caguei, muda para a SporTV. Tá a dar o Benfica..."

Gag de Aldo Lima

sábado, dezembro 31, 2005

NOVA CONTAGEM: 2006

Vivemos no paradoxo de haver cada vez menos espaço de memória para armazenar cada vez mais passado. Teremos de encaixar mais um ano. Esperemos que caibam muitos e muitos mais. Desejo a todos os que por aqui passarem um

2006 SIMPLESMENTE PERFEITO!



Este é um pouco do meu Mundo, feito por vocês, nestes últimos meses.
Obrigado.

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Bater na tecla

... num país de escritores
Por escrito, só por escrito, por favor. Pedir um café por email, com bcc: para o chefe do balcão a pedir açúcar e urgente para ter direito ao copo de água. Há-de chegar o dia. Cansam-me as infundadas e acéfalas desconfianças com que interagimos com o Mundo. A certeza que as palavras adquirem na mente, esvai-se no som da voz. De nada valem, senão mudas e por escrito.
... haja pachorra
Começam as tradicionais retrospectivas (*) de final de ano. Passei por duas até agora e, em cálculo rápido, noventa por cento das imagens que vi referenciavam desgraças ou infortúnios do destino. Há um voyeur em cada um de nós, é certo, mas alimentar essa faceta obscura não será um sinal da nossa efémera natureza? Ou este ano foi mesmo assim tão mau?
... prioridades
Quase não percebia a sua voz rouca no outro lado da linha é urgente, pá! tenho de levar hoje o computador à assistência técnica, dizia preocupado. os vírus são terríveis e acho que a minha máquina foi contaminada, tá muito lenta, pá. por falar nisso, nunca mais ligo o bluetooth do telemóvel, pá. deu hoje no telejornal, pá. não sei porquê, mas acho que também está contaminado.
Perguntei o que se passa com a tua voz? está quase imperceptível. já foste ao médico ver isso?. Tranquilizou-me já ando assim há uns dias, devo ter apanhado um virus qualquer sem importância, mas está tudo bem. já tomei umas coisas, tou melhorzito, há-de passar.
(*) As resenhas anuais dizem sempre respeito a 364 dias (365 nos bissextos), nunca sendo colocada a hipótese de acontecer algo relevante para o Mundo do último dia do ano. Se assim fosse, far-se-iam estes compactos no dia um de Janeiro, verdade?
Se eu fosse o dia trinta e um de Dezembro não ficaria nada satisfeito de ver balanços do ano sem ser consultado. Ficaria mesmo muito chateado.

quarta-feira, dezembro 28, 2005

>>> Salva-vidas



Requiem é uma palavra latina que significa descanso. Daí o seu uso para designar cerimónias fúnebres ou a derradeira obra de um compositor.
Como este que me acompanha, Mozart.
Vai fazendo parte de um dia que nasce lentamente, as coisas tomando o seu lugar, vestindo o seu sentido, justo ao compasso. Apelo à resistência para não ceder à vontade de fechar os olhos enquanto o coro entoa Confutatis Maledictis em fá menor.
Cá vou, perturbado pelos violinos sobrepostos, coincidentes com os semáforos. As tubas e clarinetes que empurram as crianças nas passadeiras, a pressa é muita. Vamos, que as férias de Natal não deixam a preguiça ganhar alento!
Já ressoa a sequência número seis com a cantoria em fá menor, Lacrimosa parece-me ouvir.
Enfim, a angústia de Lux Aeterna, também num fá pequeno, o cartão na ranhura, a cancela que se ergue, imponente! os aplausos ensurdecedores que abafam um tímido bom dia através do vidro, na luz da sala e na escuridão da garagem. Bravo! Bravo!
Por vezes, breves momentos valem eternidades.
Tenho uma reunião às dez.

segunda-feira, dezembro 26, 2005

Ofereceram-me

A família em geral:
Uns sapatos para usar no trabalho;
Uma camisa, para usar com o fato castanho, para trabalhar;
Uma camisola, que o tempo agora anda fresco, para usar no trabalho;
Uma pasta para o computador, para trabalhar;
Uma caneta para trabalhar;
Uma pen drive para trabalhar;

As minhas avós:
Vinte euros cada uma.

Adoro as minhas avós...

sábado, dezembro 24, 2005

Rádio Memória - Emissão Especial Natal 2005


Do They Know It's Christmas?, Band Aid, 1984

O Blogalize it! está imbuído do espírito natálico. Por isso, esta emissão da RM mata dois coelhos (ou bacalhaus) com uma só cajadada: recorda a Band Aid e assinala a quadra, nada mais adequado para cruzar estes dias.
Relativamente à primeira, deixemo-nos de criticismos. Se temos de mercantilizar a arte, então que seja por uma boa causa e quando assim é, nada a dizer (mesmo com a brilhante ideia de atirar o Natal para cima de um continente maioritariamente muçulmano).
Mas a música era um bocado má, mesmo...
Quanto à quadra, façam favor de passar uns fantásticos dias na companhia das famílias e, pelo menos hoje, não se esqueçam de ser felizes!!!

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Bater na tecla

Soares até foi brando. Apenas retribuiu a Cavaco aos maus tratos e agressões que este infligiu a um país inteiro durante uma década e cujas feridas ainda estão bem abertas.
E qual é o problema? Não se pode tocar no Senhor Professor?
Soares é, isso sim, mal educado, orgulhosa e endemicamente mal educado.
É Natal. Ao dia de hoje já quase não há dinheiro. Logo, os aglomerados populacionais nas zonas comerciais desapareceram e quase não há trânsito: é uma quadra feliz.
Vi imagens de Saddam Hussein a sorrir. Quem fez o Mundo esqueceu-se de alguns pormenores.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Rádio Memória - Emissão 015


Brothers in Arms, Dire Straits, 1985

À medida que a exigência sonora ia aumentando com o ocaso do milénio, os cruzados lutadores pela sobrevivência do rock de refrão e solo iam definhando, perdendo força, rendendo-se a um novo mundo que nascia da extinção da sua escola.
Este exemplo, como muitos outros, acompanhou sem compromisso a adolescência de quem aprendia a ouvir música, imberbes desgostos e euforias de gente que mil vezes o gravou, regravou, cantou e dançou, assim haja muitos Walk of Life pela vida fora.
A voz monocórdica de Knopfler pouco ajudava, mas pôs meio Mundo a exigir uma MTV que por fim, vinte anos depois, veio por cabo, mas para os Straits, ao fim ao cabo, foi o fim.
Ficaram na história? Talvez sim. Ouvem-se ainda em rádios de província e bailes de Verão.

terça-feira, dezembro 20, 2005

A palavra

A atitude política e socialmente correcta, contudo pretensa, de encarar o universo positivamente conduz-nos à hipocrisia voluntária, que se manifesta inconscientemente quando cedemos à inibição de dizer mal de algo ou alguém. Porque em sociedade parece mal dizer mal. Este comportamento é, muitas vezes, o castrador exercício de bloqueio da verdade, logo e por exclusão de partes, uma porta aberta para a disseminação da mentira.
Por isso não acredito em uma única palavra dita pelo Professor Cavaco.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

>>> Salva-vidas


Esta é uma fabulosa fotografia do lago na Mina de S. Domingos, concelho de Mértola, Alentejo profundo. Tem certamente alguns anos, pela genuína nudez patenteada nas margens, hoje em dia saturadas de marcas humanas.
Mesmo assim, é para onde fujo, de quando em vez.
Para quem conhece é recordar. Para quem não conhece, imaginar.
Não é preciso mais comentários.

Não me lembro do nome do autor da foto (e do magnífico trabalho de tratamento de imagem) nem do site de onde a pedi emprestada. Se passar por aqui, retribuo-a como uma homenagem.

Entretanto, na rádio cá de casa...


... vai tocando jazzanova remixes 2002-2005

Remixes 2002-2005 é um fantástico trabalho de upgrade, novo registo do colectivo alemão da Sonnar Kolektiv, que soa a muito e sabe a pouco. Electrónica balanceada entre o jazz e a bossanova, dissecam temas de vários amigos e arriscaria, pelo que lhes conheço, a dizer que estas reproduções serão mais cristalinas que os originais.
São assim os Jazzanova: inventores do inventado, em que o génio melhor se espraia quando percorrem o universo alheio do que quando agem por graça própria.
E quando assim acontece, poderia e deveria o Mundo ser revisto e melhorado, sempre que alguém reconhecidamente infalível lhe pegasse e acrescentasse um ponto. Como Midas.
Indispensável!

sábado, dezembro 17, 2005



A reunião estava a correr muito bem. E assim continuou até final, frutífera e produtiva.
Por entre os vários assuntos focados, prevaleceu-me na memória um, abordado no intervalo para café, pela própria pessoa que analisa o risco individual para concessão de crédito:

O tecido social médio português faz questão de viver na corda-bamba, assumindo níveis de endividamento insustentáveis e taxas de esforço de tal forma sensíveis, que a falha do subsídio de almoço (por doença, por exemplo) é suficiente para inviabilizar o orçamento do mês e originar o incumprimento perante os credores.
Daí, à confirmação de crédito irrecuperável, à apropriação dos bens pela entidade financiadora e ao cadastro no Banco de Portugal é um ápice, tornando-se esta incontrolável espiral uma das primeiras razões para a derrocada pessoal e familiar
.

A essência de tudo isto, continuou, é que da nossa porta para dentro ninguém sabe o que se passa. Interessa é o que se mostra, sendo ou não real, vivendo de aparências, alimentando uma imagem, sustentando um status quase sempre falso.

Nada de novo, verdade? Nada que não se soubesse.
Mas nunca o tinha ouvido, neste tom tão conformado de quem destas vicissitudes faz ofício, por entre um gole de café e uma prolongada baforada no SG Gigante.
Devia ser instituído o dia nacional sem portas.
Enquanto isso e enquanto se ridiculariza o país real em debates televisivos, vamos trabalhando para conseguirmos tapar a cabeça sem destapar os pés, porque nesta luta diária o lençol é cada vez mais curto. Ainda assim, descansem os altos signatários do poder, há sempre um cantinho para aconchegar o parasitismo e a mediocridade em que vivemos.

Porque hoje (já) é Sábado, pausa.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Rei Kong II

King Kong desilude em toda a linha porque é um absoluto e desregrado exagero. Em tudo.
Na duração, nos efeitos visuais, no desprezo pelo personagem central (o gorila, obviamente), pela exploração doentia de um cenário pré-histórico, pelo uso e abuso da repetitiva fórmula de vídeo-jogo com que penosamente terminou a saga dos anéis, pela invenção absurda de criaturas exterminadoras de todas as formas e feitios, pelo ar ignorante com que caracteriza os protagonistas, pela exploração maçadora de uma ridícula e absurda paixão de uma mulher por um gorila gigante.

É pouco animador o caminho que se adivinha para a arte de Peter Jackson. Não que nela resida a salvação das intelectualidades do planeta cinema, mas porque num tempo em que o talento tanto rareia, seria um prazer que não se perdesse a sua capacidade e visão criativas.
Sobretudo porque na sua narrativa e encenação Jackson vai lentamente tornando-se autista no que à esfera humana diz respeito, de que são exemplos recentes Titanic e a série Matrix.
King Kong é uma manifestação unilateral de emoções, onde o cérebro de quem vê pára durante cento e oitenta minutos, substituindo-se por uma ignorante máquina descodificadora, que se entretém a decifrar as tecnológicas diatribes da acção e converte em dólares cada frame que passa no écran.

Não falta muito para que o cinema se faça sem actores e Peter Jackson está cheio de pressa que esse dia chegue. Por mim, estamos bem assim.
Era bom era, que assim fosse. Mas não é.
Por isso o velhinho gorila de Schoedsack & Cooper já está pronto para regressar ao DVD.
Desculpa lá Naomi, mas o Lynch é que sabe...

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Interrupção por falha técnica

Ainda a propósito da privacidade:
Quem criticou o Big Brother poderá, brevemente, vir a fazer parte dele:
Já começou!

E já agora: botão de pânico??????

Interrupção por falha técnica

"It's not the first time someone's lost a job because of a blog.
It makes sense for a company or organization not to hire or keep someone who's been highly critical of the organization or who has revealed information they don't want made public. (...)
Seems like people still don't know what to do about blogging.
For bloggers, it's worth knowing that whatever you say on your blog -- or anywhere on the Internet -- may someday resonate in a way you didn't expect."
Leiam tudo no Miami Herald.

Será isto a manifestação de um proteccionismo natural e aceitável da privacidade de universos pessoais ou empresariais?
Ou assistimos (e servimos de cobaias) ao despontar de uma nova escola de censura?

Curioso. E intrigante...

quarta-feira, dezembro 14, 2005

Entretanto, na rádio cá de casa...


... vai tocando quantic apricot morning

Colagem jazz/funk/soul de fixação electro-pop, percorre todo o universo do que é razoavelmente dançável. Originalmente Will Holland, Quantic funde os cenários montados e aperfeiçoados por Beck e Mr. Scruff, ornamentando-os electronicamente e com vozes em dose suficiente para que o resultado nada fique a dever ao inspiradores.
Aos vinte e dois anos, Quantic vale a pena sobretudo pelo invulgar talento para identificar e explorar os futuros caminhos da música urbana que passam, invariavelmente, pela sua inspiração.

terça-feira, dezembro 13, 2005

Blogthrotter - O frio que faz na serra III

Almocei por quinze euros o que na capital do império me custaria cinquenta.
Se não fosse por coisas, passava a vir cá almoçar.
Mas é melhor não. Ainda é um esticão.

Blogthrotter - O frio que faz na serra II

Afinal é verdade. Há por aqui habitantes. Vi alguns de manhã.
Há mais parquímetros que carros.

Blogthrotter - O frio que faz na serra I

Às dez e meia da noite é uma autêntica cidade fantasma - não se vislumbra viv'alma. Acaso será do frio que desliza silencioso do alto da serra, obrigando os três mil e novecentos habitantes a acompanhar a recolha do sol. Aqui há mais figurantes, acreditem...

Fiquei desiludido - esperava um frio de enregelar o olhar e afinal em Lisboa o mercúrio estava mais abaixo. Pelo menos hoje. Capital é capital, até nas agruras do tempo.
E conheço-lhe edifícios em que caberiam duas destas.

Maledicência? Nada disso. Inveja evidentemente, até pela memória com que fiquei do edifício mais alto que o meu olhar pode alcançar, por este andar, três andares, por cima um sótão, por cima serra e por cima estrelas.

A wikipédia informa com mais pormenor.

domingo, dezembro 11, 2005

Ainda a (nossa) guerra do golf


Aqui nem os aviões se notam e quando aparecem, os nossos tímpanos ignoram a provocação. Ficamos imunes. Nesta acalmia, os movimentos mais bruscos são os swings de quem busca a pequena glória, abaixo do par, claro.
Alheios acumulamos energia, vamos ouvindo como bezouros os trolleys, descarregando a sua, esvaziando baterias, monte acima, monte abaixo.
A qualidade de vida que por aqui paira não tem nada a ver com a da fotografia...

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Rei Kong

Regressa uma das mais fascinantes personagens do imaginário colectivo.
O gigantesco gorila King Kong, cujo especial feitio fez as delicias de muitas gerações, confiou a Peter Jackson a tarefa de o reinventar em 2005.
No caso, mais do que o temperamento do macaco, especiais serão por certo os efeitos, bem ao jeito de Mr. Jackson of the Rings, numa lufada refrescante na série B de qualidade garantida, com sensualidade mais que q.b. com Naomi Watts e o explícito glamour de não ter muito para mostrar e poder distribuir virtuosismo em doses generosas.
Um pouco creditado ensaio de John Guillermin em 1976 com Jessica Lange medeia entre o "original" de 1933 de Merian C. Cooper e Ernest B. Schoedsack (Fay Wray inesquecível) e este renascimento bem oportuno, versões estas que serão evidentemente comparadas.
O mesmo termo pode ser estabelecido entre os Dráculas de Coppola (1992) e Murnau (Nosferatu, de 1922). Apesar de separados por setenta anos, ambos foram, dentro dos seus limites e épocas, fundamentais para entender a essência da personagem central.
Os gorilas, separados por setenta e dois anos serão, inevitavelmente, alvo do mesmo exercício de equivalência.
Em ambos os casos a superior utilização do preto/branco/sombra, dos defeituosos vultos de movimentos fragmentados e de uma (hoje) primitiva ingenuidade de processos, liberta todo o espaço para que as feras se manifestem e fomenta toda a grandeza que ainda hoje lhes admiramos.
E é claro que todos terão a sua inegável, legítima e reconhecida importância, cada um na sua época, como cada macaco no seu galho.